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Uma pesquisa de 2017, publicada pela revista americana Christianity Today, aponta que 66% dos jovens de igrejas protestantes históricas nos EUA abandonaram a igreja entre os 18 e 22 anos de idade. Entre as principais razões estão: mudança de endereço devido à faculdade e aos estudos, falta de conexão com líderes locais, períodos de transição pessoal e a ausência de relacionamentos profundos dentro da igreja local.

Talvez essa não seja exatamente a realidade da Igreja Brasileira ou das nossas Igrejas Batistas, mas é notório que a juventude representa um ponto de inflexão importante na caminhada cristã dos jovens em nossas igrejas. Existe um verdadeiro “êxodo” de saída por parte dos nossos jovens — e isso não pode ser desconsiderado. Diante da gravidade do problema exposto, precisamos, como igreja, repensar nossas ações, a fim de contribuir de forma propositiva e intencional não apenas para a manutenção da juventude em nossas Igrejas Batistas, mas também para que elas se tornem ambientes de inclusão ativa nas rodas de oportunidade e decisão da comunidade de fé.

O apóstolo Paulo nos dá um excelente exemplo de como igrejas e líderes devem agir em relação à juventude. Quando se aproximava do fim de sua vida, cansado pela idade, sofrimentos e perseguições, ele ainda assim endereçou uma segunda carta pessoal ao seu discípulo Timóteo: “A Timóteo, meu filho amado” (2 Tm 1.2). Timóteo era um jovem pastor, inseguro, doente (ao que tudo indica, conforme sua primeira carta), mas Paulo, no corredor da morte, decidiu intencionalmente passar o bastão à nova geração, instruindo, aconselhando e encorajando aquele jovem pastor.

Precisamos seguir os conselhos do velho apóstolo Paulo e começar a olhar para a juventude não como uma espécie de “doença crônica”, mas como sinal de saúde da igreja. Uma igreja saudável é uma igreja multigeracional. Para isso, é necessário que a liderança e os pastores não utilizem os jovens apenas como força braçal em tarefas periféricas, mas que comecem a oportunizar espaços de liderança, púlpito, diaconia e administração aos nossos jovens!

Precisamos ter coragem para colocar os jovens consagrados ao Senhor em evidência em nossas comunidades, para que eles sirvam, se envolvam e nos ajudem a construir uma ponte para o futuro. Por isso, é urgente ter um olhar assertivo sobre a vida de nossos jovens e realizar investimentos significativos neles. Também se faz necessário trazê-los para perto nos momentos de decisão, para que participem ativamente, com opiniões e escuta atenta, dos desafios reais da igreja local. É de extrema importância que pastores gastem tempo com jovens vocacionados, treinando-os, compartilhando experiências e proporcionando atividades ministeriais e pastorais, para que esses jovens possam ser os futuros pastores e missionários.

Não existe espaço vazio quando se trata da influência sobre nossos jovens hoje. Ou a igreja e os pastores decidem, de maneira efetiva, fazer com que os jovens sejam ativamente igreja — dando-lhes liberdade criativa, espaço para errar, e participação nos processos de liderança e pregação — ou, talvez, nem tenhamos uma próxima geração com quem lidar. O assunto é urgente. O chamado está diante de nós. Precisamos dar uma resposta!

Um Testemunho Pessoal Gostaria de encerrar com um breve relato pessoal, como exemplo. Tenho 28 anos, sou pastor há quase sete anos, mas sou fruto do trabalho intencional do meu pastor, quando eu tinha apenas 14 anos. Eu estava afastado, mas ele ia me buscar em casa para os cultos, mesmo quando eu não queria ir. Eu não sabia tocar nenhum instrumento, mas ele me incentivou a aprender e me incluiu no louvor da igreja enquanto eu ainda era adolescente. Foi ele também quem me colocou para pregar pela primeira vez, aos 14 anos. Preguei em lares, nos cultos de jovens, em praças e nos cultos dominicais — ainda durante a adolescência. Sou fruto do investimento intencional de um pastor, assim como Timóteo foi fruto do olhar atento e encorajador de Paulo. Meu pastor e minha igreja investiram na minha vida ainda na adolescência, e por causa disso posso viver o chamado que Deus me deu. E agora, como pastor, posso investir e oportunizar a nova geração. Precisamos reagir, nos levantar e trabalhar, para que nenhum jovem nosso se perca pelo caminho! Deus quer usar os nossos jovens! Eu creio nisso!

Pr. Igor Cutis, pastor da Igreja Batista do Parque Lafaiete.