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“Enquanto jovem, muito me entristece ouvir a seguinte afirmação: “O jovem é a geração do futuro.”
Esse ideal nos leva a uma compreensão de que sua relevância está condicionada apenas a uma
mudança de faixa etária ou a um momento que só poderá acontecer no futuro. Contudo, tal
mentalidade carrega uma série de perigos: retarda a responsabilidade da juventude, adia seu
propósito e até mesmo diminui seu valor para o presente. O que está por trás de tudo isso? Algo
sutil, silencioso, mas bem impactante e altamente perigoso, uma vez que intrinsecamente sugere
que a juventude não passa de uma fase de preparo, um mero corredor de espera, até que os
jovens se tornem adultos, finalmente “úteis” ou “capazes” de serem relevantes e fazerem a
diferença.
Entretanto, ao olharmos para as escrituras, vemos uma narrativa que vai na contramão da proposta
humana, enxergando na juventude não apenas uma transição ou espera para algo futuro, mas um
desafio para o real presente. A história da fé cristã é marcada por jovens que se levantaram em
momentos críticos. Foi assim com José, que aos dezessete anos enfrentou o vale da rejeição e da
escravidão, tornando-se instrumento de salvação para nações inteiras. Foi assim com Davi, ainda
adolescente, que enfrentou o gigante Golias enquanto homens treinados fugiam. O mesmo para
Samuel, que ouviu a voz de Deus na infância; Ou Jeremias, que foi chamado como profeta mesmo
sendo jovem em um tempo de extrema dificuldade do povo. Foi assim com Daniel e seus amigos,
que, mesmo cativos em Babilônia, se destacaram pela excelência e fidelidade diante de um império
corrupto. E o que dizer de Estêvão, o qual ainda bem jovem, cheio do Espírito Santo pregou um
sermão com ousadia e se tornou o primeiro mártir da igreja? Ou Timóteo, o qual serviu como pastor
e missionário apesar da pouca idade?
Esses e tantos outros jovens bíblicos não foram apenas promessas para o amanhã, mas respostas
vivas para os desafios de seu tempo, enfrentando dilemas, pressões contrárias e extremas
adversidades. O fato inegável, e que não pode ser esquecido em hipótese alguma, é que Deus não
vê a idade como requisito para relevância, mas como força para conquistar. Como diz 1 João 2:14,
“jovens, sois fortes”.
Assim, é mais que necessário mudarmos o discurso, olharmos para os jovens e adolescentes de
nossas igrejas locais para além de suas idades, e abraçarmos estratégias que acolham e preparem
a juventude para os desafios do hoje, do agora. O jovem não é apenas a semente do futuro, mas o
fruto do presente. Na ação do céu, ao longo da história, aprendemos que não existe espera para
começar a ser relevante, muito pelo contrário, existe a urgência de se colocar à disposição e de
propagar o evangelho de Cristo.
Deus não chama apenas os mais experientes, hábeis e capazes, mas chama aqueles cujo coração
está pronto para obedecer. Isso significa que o tempo do jovem não é amanhã. O tempo do jovem
é agora.

Pastor Emerson Mota – Pastor de jovens PIB Barra do Piraí